Guia de Vida Natural
Viver bem

Para Crianças, Menos Consumo e Mais Natureza

Brinquedos de plástico são uma febre mundial. Baratos e coloridos, aliviam o bolso dos adultos e agradam as crianças. Mas o plástico, além de poder ter efeito tóxico, demora um tempão para se deteriorar na natureza (o que significa mais poluição para o meio ambiente). Mas o que fazer então para agradar aos pequenos de uma forma mais sustentável e muito divertida?

 

Natal, aniversário, Dia das Crianças... Datas com significado especial acabam se tornando momentos propícios para o consumismo desenfreado. As crianças foram acostumadas a esperar ansiosamente por um belo pacote de presente nessas ocasiões. E com isso, sem querer, acabamos criando uma futura geração igualmente ou até mais consumista do que a nossa.

De um lado, as crianças de hoje têm brinquedos demais e pouco tempo ou paciência para brincar. Do outro, são rodeadas por adultos ansiosos por presentear, mas sem disponibilidade para lhes dedicar tempo. No ótimo documentário “Criança, a Alma do Negócio” (http://www.youtube.com/watch?v=rW-ii0Qh9JQ), de Estela Renner, numa cena a entrevistadora pergunta a um grupinho: “O que vocês preferem: brincar ou comprar?”. A ida ao shopping ganhou a eleição de lavada. Sem dúvida alguma, um empobrecimento da infância já que, dizem os especialistas, é brincando que os pequenos elaboram sentimentos e constróem a si mesmos.

O contato exagerado com videogames, computadores e a TV substituíram as brincadeiras coletivas, que antes faziam muito sucesso na escola, no quintal de casa ou na rua. É claro que hoje os tempos são outros: é muito maior o número de famílias que moram em apartamentos, além do aumento da criminalidade que muitas vezes impossibilita as brincadeiras ao ar livre. Mas será que a única alternativa então é continuarmos distraindo nossas crianças dentro de casa com brinquedos plásticos e aparelhos eletrônicos? Com certeza, não.

Sugestão: da próxima vez em que pensar em presentear uma criança, em vez de dar algo feito de plástico potencialmente tóxico, que tal oferecer como presente uma brincadeira perto da natureza?

A psicanalista Lucia Paiva nos dá a dica: segundo Jean Piaget, grande estudioso do desenvolvimento humano, crianças entre dois e seis ou sete anos de idade estão na “fase pré-operatória”. Nessa etapa, a fantasia toma conta e vem daí aquela paixão pelos contos de fada. Realidade e sonho se misturam. Tudo o que existe ganha sentimentos: objetos, lugares e fenômenos naturais. São comuns atitudes como colocar os brinquedos para dormir ou achar que a cadeira se machucou porque caiu. Também há a ideia de que todos os acontecimentos do universo são criação humana, como, por exemplo, achar que a lua é minguante porque alguém mordeu um pedaço (rs).

Na primeira infância, nada é mais maravilhoso do que descobrir a natureza. Então, quando estiver num eco-momento com uma criança, mostre o meio ambiente que a rodeia. A começar pelos bichos que estão por perto ou aparecem nos livros e filmes. Deixe-a sentir a chuva, ouvir vento, assistir ao pôr do sol. Aponte o cume das montanhas, a forma das nuvens, as ondas do mar. Deixe a imaginação de ambos voar e trazer explicações malucas. Não transforme o encontro numa aula: simplesmente divirtam-se!

As crianças maiores se divertem em parques urbanos, expedições a pé pela cidade, aventuras de ecoturismo e apreciam exposições sobre assuntos ligados ao meio ambiente. Uma boa dica no momento é a mostra “Água”, que até 8 de maio estará no Parque do Ibirapuera, em São Paulo (http://www.aguanaoca.com.br/).

A sensibilidade para o fato de que nós e a natureza somos uma coisa só surge a partir de singelas experiências como essas. No futuro, esse ser humano será mais receptivo às informações relacionadas à sustentabilidade e mais disposto a participar de ações em favor do meio-ambiente. E é de pessoas assim que a humanidade está precisando.

Fonte: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/


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